Artigo
01/08/2007 - Lapinha da Serra, estudo de caso

Turismo e Meio Ambiente
Bernardo Machado Gontijo / Professor Adjunto do Departamento de Geografia IGC/UFMG
Ana Paula Garcia da Silva / Graduação em Turismo – UFMG
Carla da Costa Alves / Graduação em Turismo – UFMG
Cristiana Gomes Ferreira Lopes / Graduação em Turismo – UFMG
Elaine Belomo Galetti / Graduação em Turismo – UFMG
Heveline Oliveira Morais Arruda / Graduação em Turismo – UFMG
Júlia Lemos Gontijo / Graduação em Turismo – UFMG
Leandro Martins Vieira / Graduação em Turismo – UFMG
Marina Furtado Gonçalves / Graduação em Turismo – UFMG
Raquel de Souza Furtado / Graduação em Turismo – UFMG
Solano de Souza Braga / Graduação em Turismo – UFMG

A PROPOSTA DO TRABALHO
O presente texto é fruto de um trabalho desenvolvido em sala de aula, durante o segundo semestre de 2003, no âmbito da disciplina “Turismo e Meio Ambiente”, optativa do curso de Turismo da UFMG. Optou-se por eleger uma localidade específica e nela aprofundar-se na análise da questão ambiental e suas relações com o fenômeno turístico.

Lapinha da Serra, vilarejo localizado na Serra do Cipó, a 12km da sede do município de Santana do Riacho / MG, foi a localidade escolhida uma vez que dispunha-se de uma farta gama de dados e procurava-se dar prosseguimento aos trabalhos recentemente desenvolvidos no local no âmbito da pesquisa de doutoramento do professor da disciplina (GONTIJO, 2003).

O encaminhamento do trabalho consistiu numa discussão teórica prévia em sala de aula na qual aprofundou-se no questionamento a respeito da trajetória do ser humano no planeta sob uma perspectiva histórica. Seguiu-se, basicamente, as linhas de DANSEREAU (1975) em seu texto sobre a perspectiva ecológica da escalada do impacto humano no planeta; e a escalada humana tal como concebida por BRONOWSKI (1979), no que ele descreveu como “a história da mente humana revelada pelo desdobramento dos seus diferentes talentos”.

Tal base de discussão teórica serviu como alicerce para o que seria verificado em campo na medida em que trabalhou-se com a perspectiva de que o ser humano não pode dissociar-se de seu meio, considerando-se acima da natureza, mas sim procurar entender-se como parte desse meio. Principal elemento transformador da paisagem, o ser humano acaba por transformar também a si mesmo. Neste sentido, não é o caso de se procurar por vilões ou vítimas, mas sim de tentar estabelecer as relações mútuas de causa e conseqüência das interferências antrópicas no meio, relações através das quais o ser humano transforma a paisagem de acordo com seus interesses, ou desinteresses, e obtém como resposta do meio ambiente os resultados de sua interferência.

Tal discussão configurou-se no pano de fundo do estudo de Lapinha cujo encaminhamento é descrito a seguir.

APROXIMANDO-SE DE LAPINHA
Duas perguntas nortearam as investigações que os alunos deveriam fazer na região de Lapinha e seu entorno:
“Em que medida o Meio Ambiente condiciona o Turismo na Serra do Cipó”, e “Em que medida o Turismo altera o ambiente da Serra do Cipó”. A partir do eixo norteador revelado nesses dois questionamentos, a turma foi dividida em quatro grupos os quais deveriam se dedicar a assuntos mais específicos, a saber:

1- Contexto regional – A partir de um primeiro enfoque, no caso a região da Serra do Cipó, procurar-se-ia estabelecer um ponto de partida para a análise da interface Turismo e Meio Ambiente, a qual seria detalhada posteriormente em relação à localidade de Lapinha. Aqui deveriam ser avaliadas e analisadas (1) as condições de acessibilidade à região; (2) a atuação do IBAMA, tendo em vista que estamos inseridos no seio de uma Área de Proteção Ambiental (APA) sob jurisdição daquele órgão (APA Morro da Pedreira) e vizinhos ao Parque Nacional da Serra do Cipó; e (3) a infra-estrutura administrativa e sócio-econômica dos municípios abrangidos pela APA (Santana do Riacho, Jaboticatubas, Morro do Pilar, Itambé do Mato Dentro, Itabira, Nova União e Taquaraçu de Minas).

2- Contexto Local – Aqui procurou-se focalizar a sede municipal de Santana do Riacho e o próprio vilarejo de Lapinha uma vez que a distância de ambos com relação ao distrito de Serra do Cipó (antigo Cardeal Mota) definem uma série de características locais em relação ao fenômeno turístico. Neste sentido, procurou-se avaliar e analisar (1) a atuação do executivo e do legislativo municipais, principalmente com relação às políticas econômica e social; (2) a atuação da Associação dos Amigos da Lapinha, entidade que busca soluções para os problemas de Lapinha; e (3) as relações da sede municipal com Cardeal Mota, distrito que caminha a passos largos para a emancipação política.

3- Transformações Espaciais – Uma vez em Lapinha, este grupo trataria de avaliar e analisar (1) as condições de uso e parcelamento do solo

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