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17/12/2007 - Ano novo, uma esperança no futuro
Por: Gilda Fleury Meirelles
Datas são pretexto para tudo. Final do Ano, então, nem se fale. Não é uma data protocolar, mas ninguém se esquece do réveillon, termo oriundo do verbo réveiller, que em francês significa "despertar". O cerimonial do réveillon é uma seqüência de acontecimentos, todos significativos. Mas, o que nos marca, mesmo? Superstições, crenças, esperança, que nos fazem tão bem e que transformam a data em um mega evento. Roupa branca? Pelo menos uma peça, para dar sorte. E o dourado, sinal de dinheiro? E a prata, simbolizando a paz? Pode-se usar de tudo, desde que o pensamento seja forte e positivo; é o pretexto para acreditarmos no inacreditável; crendo que tudo que desejamos acontecerá se usarmos as cores corretas, se comermos as sementes da romã – pode ser de uva, também; se jogarmos flores à Iemanjá, se dermos sete pulinhos nas ondas do mar. E mais, ainda. É pretexto para tudo; para emendar a semana, para “enrolar” no trabalho, para escrever mil e-mails, dar vários telefonemas, falar com um velho amigo e com o recente, também; sorrir para o velho e para a criança na rua, fazer aquela viagem planejada ou improvisada; vale tudo, escrever uma lista de decisões para o Ano Novo, que serão realizadas, sabe-se lá Deus quando, rever a lista do ano passado acrescentando alguns itens; visitar os avós e tios velhinhos, mimar os sobrinhos, abraçar os pais, filhos e netos, dizendo o quanto os ama, aproveitar a presença dos que estão aqui, chorar a ausência dos que já partiram. É pretexto para sonhar, desejar, querer, procurar aquele cometa no céu, namorar olhando a lua, ver as estrelas buscando uma cadente – aí, sim, fazemos rápido um desejo que será realizado (tenham certeza disso!); para brindar e beber champagne com mil bolhinhas; para sonhar um pouco mais, para abraçar, para beijar, para amar. É um dia maior, magnífico, esse 31 de dezembro. Poderoso, mesmo. Capaz de nos fazer acreditar em tudo, em milagres, até. Muito melhor que qualquer outra data, como o dia de seu aniversário. Aliás, esse eu, pessoalmente, detesto. Não é a perspectiva de ficar mais velha, mas o aniversário me deixa exposta, vulnerável, esperando algo que não sei o que é e que nunca acontece. Quando você é criança há uma expectativa, uma magia, talvez; mas quando adultos essa aura desaparece. 31 de dezembro é muito melhor, também, do que o Natal. Embora, este traga consigo um cerimonial típico de cada cultura e, muitos, ou poucos, presentes, traz também muita nostalgia. Temos saudades de algo que não sabemos o que é, e isso gera tristeza. A passagem de ano, não. Traz esperança, risos, choros de emoção, encontros, reuniões, festas, brilhos e fogos. Tem até um dia de trégua na guerra, permissão para detentos celebrarem a data com os seus. Dá-se uma trégua nas discórdias das famílias, também. Este dia tem a capacidade de nos fazer poderosos, capazes de ditar as regras para os próximos 365 dias, tornando tudo possível. É a esperança no desconhecido, no provável e no improvável, mesmo que no dia 1º de janeiro essa magia desapareça, dando início à batalha anual que desponta ao longe, fazendo-nos ver que 31 de dezembro foi um dia comum. Tão comum, com tantas incertezas, e seguido de tantas decepções, que precisamos urgentemente do outros réveillon, para novamente nascer e... renascer mais uma vez. Mesmo assim, meus amigos, FELIZ ANO NOVO, muita paz, saúde, amor e principalmente esperança, pois acredito sempre, que é o único caminho capaz de tornar seu sonho, uma realidade. ________________________________________ Gilda Fleury Meirelles é relações públicas, Doutor Honoris Causa, diretora do IBRADEP – Instituto Brasileiro de Desenvolvimento, Aperfeiçoamento e Capacitação Profissional. Autora dos livros “Protocolo e Cerimonial – Normas, Ritos e Pompa”, “Eventos – Seu Negócio, Seu Sucesso” e co-autora do livro “O Negócio é o Seguinte – hábitos e costumes dos povos e sua influência na vida empresarial”. |







