Artigo
30/01/2008 - Eventos, a indústria do presente

Por: Elisângela Menezes
jornalista, advogada, perita judicial e professora.


A palavra “evento” vem do latim eventus e significa “acontecimento”, ou seja, aquilo que está por vir. Com efeito, trata-se de momento predeterminado do futuro, cuja preparação envolve diversos setores de atividade e mobiliza profissionais cada vez mais especializados, o que gera riquezas ao movimentar os setores de serviços, da indústria e do comércio. Segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, evento é um acontecimento (festa, espetáculo, comemoração, solenidade etc.) organizado por especialistas, com objetivos institucionais, comunitários ou promocionais.

Os números que o mercado de eventos engloba são muito significativos. Nesse sentido, poucas pesquisas foram desenvolvidas em nível nacional, ainda merecendo destaque o estudo realizado em 2001 pelo SEBRAE e Fórum Brasileiro dos Convention Bureaux (atual Federação Brasileira dos Convention Bureaux). Os dados comprovavam, há cinco anos atrás, a existência, no país, de 1.664 espaços destinados a eventos, nos quais já haviam sido realizados cerca de 319 mil atividades, dentre exposições, feiras e reuniões de todo tipo. Tais eventos mobilizaram um público de nada menos do que 79 milhões de pessoas.

Não obstante, é no que se refere à geração de empregos que a chamada “indústria de eventos” mais se destaca. A pesquisa do SEBRAE já revelava, em 2001, que os eventos mobilizavam 12 mil pessoas em postos de trabalho direto, além de 58 mil empregos indiretos. Os dados apresentados, porém, não abrangiam os diversos setores da cadeia produtiva do turismo que estão entrelaçados aos eventos, tais como atendimento, serviços, arte, artesanato, alimentação, etc, o que, por si só, já aponta para uma realidade de números muito mais significativos de empregos gerados pelo mercado de eventos. Além disso, não se pode desconsiderar o notório crescimento desse mercado nos últimos anos, embora não haja pesquisas nacionais reconhecidas, capazes de apontar números reais.

Quanto aos valores que o mercado de eventos movimenta, a referida pesquisa demonstrava que a renda proveniente do setor, em 2001, atingia aproximadamente 80 bilhões de reais, dos quais cerca de 35% eram impostos. Embora ultrapassados, esses números comprovam a magnitude desde mercado em ampla expansão no país, com reflexos tanto no setor de serviços, como também no comércio e na indústria.

Em Belo Horizonte, pesquisa realizada em 1999, também pelo SEBRAE, apontava a existência de 61 espaços específicos para esse fim, nos quais foram realizados aproximadamente 2.500 eventos, com uma geração de renda calculada em cerca de R$ 276 mil e a criação de 21 mil empregos diretos e indiretos. Para se ter uma idéia do crescimento desse mercado, no ano passado, o Convention Bureau, em pesquisa direta junto ao setor turístico, apontou a existência de aproximadamente 150 espaços de eventos na cidade, com condições de atender, ao mesmo tempo, 50 mil participantes. Como se vê, o número de espaços voltados para eventos em Belo Horizonte aumentou 150% nos últimos sete anos.

É notório o potencial de Belo Horizonte para o turismo de eventos. Hoje, 82% da atividade econômica da capital é baseada no setor de serviços. A cidade destaca-se como um pólo econômico que não depende apenas de grandes indústrias, já que os setores terciários – dentro dos quais está o turismo de eventos – tem grande peso para a economia local. Dentre os eventos que já compõem o calendário oficial de Belo Horizonte, destacam-se grandes festivais como o FIT-BH (Festival Internacional de Teatro), o Encontro Internacional de Literatura, o Festival de Teatro de Bonecos, o FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos), o FID (Fórum Internacional de Dança) e o Festival do Circo. Isso sem falar nas feiras e congressos, altamente rentáveis e tradicionais, tais como o Expo Cachaça, Boa Mesa BH, Casa Cor BH, Gestão do Futuro, MultiMinas, Mec Minas, BH Shoes, Circuito BH de Moda, Super Minas, Mostra Têxtil Brasil, Feira dos Imigrantes e Carna Belo.

Quanto aos espaços de eventos, há, na capital, centros públicos e privados, dentro e fora de hotéis. Observa-se, porém, que, em geral, trata-se de espaços de pequeno e médio porte. Na lista dos mais procurados estão o Minascentro, a Serraria Souza Pinto, a Casa do Conde, a Casa do Baile, o Expominas, o Palácio das Artes e o Sesc Venda Nova. Dentro dos hotéis também é possível encontrar bons espaços para atividades externas, como a área de eventos do Mercure, as inúmeras salas do Othon Palace, os auditórios do Grandarrell, Ouro Minas, Merit, Liberty e San Diego. Também merecem destaque os centros de convenções, em especial os espaços como o Marista Hall, o Luminis, o Espaço Séculus, Niágara, Centro de Convenções LifeCenter e o Campus Aloysio Faria da Fundação Dom Cabral.

Apesar dessa diversidade de locais para realização

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