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18/04/2008 - Evento - Um instrumento de relacionamento na antiguidade e na idade média
Por:Gilda Fleury Meirelles

Antes mesmo que se falasse em eventos, o homem percebeu que tinha algumas possibilidades que poderiam ser utilizadas em benefício próprio – a convivência com seus pares e parceiros, o diálogo e a capacidade de deslocamento pelos mais diversos motivos. Era a origem dos eventos.

Considerando o evento em seu conceito atual, podemos registrar como primeiro evento os Jogos Olímpicos da Era Antiga, realizados em 776 a.C., em Olímpia. Era um evento com caráter religioso, realizado de quatro em quatro anos, com força para suspender até os combates bélicos que aconteciam na época. O sucesso dos encontros foi tão grande que outras cidades gregas, como Corinto, começaram a utilizar o mesmo esquema, visando oferecer atrações a seus habitantes. Os Jogos Olímpicos tiveram sucesso durante mil anos; foram suspensos ao final do século XVIII e retornaram em 1896, sendo Atenas a sede da primeira versão da Era Moderna. As Olimpíadas atualmente, representam uma fonte de recursos para o país promotor, incrementando o turismo, o transporte, a hotelaria e o setor de prestação de serviços, como a comunicação, a segurança, o setor médico-hospitalar, dentre outros.

Semelhante ao Carnaval de hoje em dia, teve sua origem na Antiguidade, em 500 a.C. as Festas Saturnálias, que objetivavam não só o lazer, como também representações de anseios, esperanças e folclore das regiões.

O primeiro evento com caráter informativo aconteceu em 377 a.C. em Corinto, e foi denominado Congresso, embora com as características de uma Assembléia – reunião de todos os delegados das cidades gregas, que elegeram Felipe, o generalíssimo da Grécia nas lutas contra a Pérsia.

Em 56 a.C foi registrado o último evento da Antiguidade, a Conferência de Luca, também com as características de uma Assembléia da atualidade. O evento objetivava reconciliar dois rivais – Pompeu e Crasso, sob a coordenação de César e foi realizado no norte da Itália, em Luca. Com o objetivo da Conferência atingido, César fortaleceu o poder do Triunvirato e terminou derrubando o Senado.

É necessário que se ressalte que a Antiguidade contribuiu para o embrião dos eventos de hoje, com a difusão do espírito de hospitalidade, de organização, da necessidade da infra-estrutura logística e da segurança nas estradas.

Com o declínio da Era Antiga, surge a Idade Média e o Cristianismo, com menor importância para o setor de eventos. A falta de segurança nas estradas impossibilitou o deslocamento das pessoas, e estagnou o segmento de eventos de um lado, mas por outro lado impulsionou o surgimento de mapas das estradas, roteiros, divulgação sobre regiões e impressões sobre locais. O Guia de Estradas, de Charles Estiene e, Of Traves, de Francis Bacon, destacam-se neste campo.

Dois tipos de eventos de grande importância na atualidade marcaram essa época – os de caráter religioso – concílios e representações teatrais – e os de caráter comercial – feiras. A insegurança das cidades não atingia esses eventos, pois o público dos concílios eram os membros do clero, considerados autoridade máxima e, por isso, livres de atentados; e o público das feiras eram os mercadores que pagavam tributos ao clero para garantir sua segurança.

O concílio – nome que se dá até hoje à reunião eclesiástica – era a reunião de membros do clero com o objetivo de estudar, debater e discutir temas relacionados à doutrina e aos dogmas da Igreja Católica. Eram eventos utilizados como forma de força, de poder.

As representações teatrais – que deram origem ao teatro atual, foram produzidas visando quebrar a monotonia dos rituais da missa, alguns muito longos e cansativos. A encenação de uma passagem dava vida à cena e facilitava a compreensão do público assistente. Com o passar do tempo, o teatro religioso foi ganhando fama e atraindo pessoas e as Igrejas tornaram-se pequenas para sua apresentação. Daí, a encenação em ruas, praças públicas e finalmente em anfiteatros.

As feiras foram os eventos mais importantes da Idade Média e tinham o mesmo conceito das atuais – eram a exposição de produtos cultivados ou manufaturados pelos expositores, visando a conquista de clientes.

Com conceitos primitivos, montagem não tão adequada, os eventos já eram o alvo dos povos da Antiguidade e da Idade Média, como forma de relacionamento, de entrosamento, de lazer e, mais do que tudo, como uma positiva e rentável forma de negócios.



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