Artigo
29/04/2008 - Eventos: o foco do paradigma entre o mito e as estrelas
Por: Cínthia Oliveira Demaria

Tenho pouco interesse no fetiche da moda e das celebridades que brindam os principais e mais badalados eventos. Mas confesso que a minha curiosidade em me aprofundar no histórico “heróico” dessas personalidades é inexplicavelmente tentadora. A aura midiática que essas pessoas ganham, as torna seres importantes e marcam data na vida nos indivíduos comuns.

Quem nunca achou uma festa super “badalada” porque uma celebridade estava presente? Já vi casos (e não foram poucos) de pessoas que desmarcaram algum compromisso pessoal, somente para estar presente em uma festa que uma celebridade estaria. Não interessa se é uma atriz, uma apresentadora ou até mesmo uma ex-participante de um programa de reality show. O que interessa é que estão na mídia, e mesmo que sejam feias as roupas que vestem, estão na moda.

Edgar Morin - cientista social que já contribuiu com várias análises do universo midiático, escreveu um livro em 1989 que descrevia o papel das “estrelas” no universo da modernidade. O autor diz que Hollywood, assim como qualquer outro campo da indústria cultural, passa a ser o novo “Olimpo”, e que a celebração aos atores toma às vezes um caráter de religião, porque existem papas e até cerimônias em que os fiéis entram em estado de êxtase, como se estivessem de fato em um ambiente religioso.

Os fãs fazem de seus ídolos a razão de viver e, muitas vezes, interferem até mesmo em seu cotidiano. Morin ainda conta a história de um ator que não cortou o bigode por pressão das fãs.

O interessante é que a aura sobre as celebridades é tão grande, que o ser humano não se contenta apenas em amar aquela pessoa, ele passa a querer ter aquela vida para si. O estrelato e o glamour celebrado sobre a aura dos grandes mitos, faz com que os fãs que não consigam distinguir a celebridade do personagem. Segundo Morin, a base está num processo de projeção-identificação. O fã se identifica com seu ídolo e, ao mesmo tempo, projeta nele seus desejos, o que ele gostaria de ter ou de ser.

O estrelato e a ambição por ele é tão forte, que a questão social humana gira em torno do horário da novela. Muitas vezes um evento perde, porque naquele dia era o dia decisivo da personagem da tv. Os eventos de moda passam a ter valor a partir do momento em que uma revista que vive de fetiche, fotografa uma atriz usando o modelito. Um evento de turismo lucra se a cidade cinematográfica for aquela em que o casal romântico da trama viveu a lua-de-mel. O teatro ganha mais valor quando é apresentado por um ator famoso. Enfim, é uma questão ambivalente: será que a mídia é responsável por democratizar o acesso a informação, ou sua função fica a mercê da espetacularização?

A importância do estrelato sobre a sociedade nunca se poderá medir. É uma questão polêmica porque não se trata de ser certo ou errado, mas apresentar quem ganha e quem perde. A mídia ganha com sua celebração aos personagens, e o indivíduo perde a partir do momento em que abala seu lado psíquico de reação à mensagem midiática. Não podemos esquecer inclusive, que a indústria –não só a cultural- lucra porque não há nada que dê mais dinheiro do que a paixão humana!



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