Artigo
08/07/2010 - A encantadora arte do retrato

Um retrato pintado é uma maneira de recordar um rosto amado, de eternizá-lo, de mantê-lo sempre próximo. Pode ser ainda uma tentativa de auto-conhecimento ou uma busca maior de compreensão do ser humano em toda sua complexidade. Com ótica e meios completamente diversos da fotografia, um retrato pintado consegue ir além das aparências, alcançando uma dimensão não muito explícita de nossa identidade.

Na produção artística de todos os momentos da história da humanidade, encontramos a cabeça e o rosto humano interpretados de diversas maneiras, em diferentes culturas e em épocas variadas. Se a estilização e a simplificação caracterizam a representação do rosto humano na Pré-História e na civilização egípcia, no apogeu da arte grega, este mesmo rosto assume traços naturais, ainda que idealizados.

No decorrer dos séculos, o retrato passa a ser um gênero figurativo com a finalidade de perpetuar no tempo o aspecto físico e a personalidade de um ind ivíduo. Os artistas do passado retrataram os nobres, a classe aristocrática e a alta burguesia: soberanos, chefes militares, imperatrizes, papas e diversos elementos da nobreza tiveram o seu status de poder assegurado através de retratos gloriosos, heróicos , que oficializavam sua condição e seus privilégios sociais.

Em tempos mais recentes, o advento da fotografia, no séc. XIX, libertou os pintores retratistas do encargo até então a eles conferido de documentar a história e seus grandes líderes. É aí que o retrato alcança sua plenitude, ganhando cada vez mais uma maior liberdade de criação, perdendo seu caráter elitista e passando a ser difundido em todas as classes sociais. Encomendar um retrato não é mais somente uma empreitada de caráter oficial, passa a ser também uma empreitada de caráter privado, uma prova de afeição, um presente a ser feito a um ser querido. Um retrato pintado é uma maneira de recordar um rosto amado, de eternizá-lo, de mantê-lo sempre próximo.

Pode ser ainda uma tentativa de auto-conhecimento ou uma busca maior de compreensão do ser humano em toda sua complexidade. Com ótica e meios completamente diversos da fotografia, um retrato pintado consegue ir além das aparências, alcançando uma dimensão não muito explícita de nossa identidade. O poder de um retrato muitas vezes é tão grande que ultrapas sa a compreensão intelectual: se perguntarmos a qualquer pessoa, mesmo aos leigos, "qual é o quadro mais famoso do mundo?", com certeza a grande maioria vai saber a resposta: "É a Monalisa". A Monalisa, aparentemente um simples retrato, mas envolvido em tanto mistério!... Como explicar o fato desta pintura ser tão poderosa?

Para o artista plástico, o retrato constitui um desafio, um exercício sofisticado de observação e interpretação. Mesmo com toda liberdade, o artista se confronta com o modelo e com as inúmeras maneiras de ver e perceber o outro. O ofício de retratar, tão antigo e tão atual continua a ser uma tarefa complexa: exige não só habilidade, mas também sensibilidade e desprendimento, disciplina e paciência. Grandes mestres se exercitaram nesta arte através dos auto-retratos: Leonardo, Rafael, Rembrandt, Van Gogh e Picasso são só alguns dos inumeráveis exemplos de artistas que se olharam de frente... e ousaram se pintar.

Ainda hoje encontramos artistas plásticos que se dedicam a este gênero eterno. José Maria Ribeiro, artista mineiro com mais de quarenta anos dedicados à pintura, é um deles. O retrato sempre fez parte do seu repertório. Em 1969, ainda no início de sua carreira, o artista fez uma exposição só de retratos no Chez Bastião, na Savassi. Muitas pessoas conhecidas da sociedade de Belo Horizonte tiveram seus retratos expostos: Zilda Couto e Ângela Diniz Vilas Boas,  entre outras.

José Maria continuou se dedicando a temas diversos mas nunca abandonou o retrato. Diversas instituições públicas e privadas, empresas, bancos, universidades, entre outras, requisitaram seus serviços. Reitores da UFMG, co mo Gerson Boson, Maria Lúcia Gazolla, Haroldo Tomaz e Ozório Cisalpino; advogados renomados como Ariosvaldo Campos Pires, Francisco Américo e José de Anchieta; médicos ilustres como Hilton Rocha, Caio Benjamim Dias e Ely Bonini; marchands d’art como Manoel Macedo e Haydée Muglia; jornalistas como Leila Ferreira e José Carlos Santana são só alguns nomes de uma grande lista.

Vários artistas plásticos também foram retratados por José Maria: Haroldo Mattos, Amílcar de Castro, Ado Malagoli, João Quaglia, Álvaro Apocalypse, Terezinha Veloso, Chanina, Wilde Lacerda, Nello Nuno, Maria Helena Andrés, Jarbas Juarez, Sandra Bianchi, Pedro Augusto Barbosa, Sanzio de Menezes, Chico Ferreira, Sérgio Nunes e Noêmia Motta.

Encomendas de particulares são constantes, tanto para o Brasil quanto para o exterior: retratos de crianças, de jovens, de noivos, de pessoas de todas as idades. Retratos de pais, avós, pessoas que já se foram. Retratos que são oferecidos como um presente surpresa, o que sempre

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