Eventos
Exposição: Notas do Observatório de Wilton Montenegro
Avenida Afonso Pena 4001, térreo - BH
Oi Futuro Klaus Viana
Fone: (31) 3229-2979
Entrada Franca
Terça a domingo, no horário de 11h às 18h
O Oi Futuro apresenta, a partir de 14 de fevereiro a mostra “Notas do Observatório”, com 232 imagens impressas (58 delas inéditas) e quase 300 fotografias projetadas de Wilton Montenegro, que registrou, ao longo de quase três décadas, o melhor da arte contemporânea brasileira. Mais de cem artistas tiveram suas obras recriadas, transformadas e traduzidas pelas lentes de Montenegro, que frequentou os ateliês dos maiores nomes da arte brasileira, por cerca de 25 anos. Poderão ser vistas no Oi Futuro fotografias de obras de Cildo Meireles, Waltércio Caldas, Claudio Paiva, Ascânio MMM, Antônio Dias, José Damasceno, Iole de Freitas, Carlos Vergara, Xico Chaves, Afonso Tostes, Brígida Baltar, Eduardo Sued, Franz Weissmann, entre inúmeros outros.
“A obra de Wilton Montenegro nos coloca diante de algumas questões: o fotógrafo acrescentaria um dado a mais no trabalho registrado?; qual a importância do fotógrafo quando ele é convocado a fazer esse registro?; ele é uma figura neutra ou interfere na obra que fotografa?”, diz o curador de Artes Visuais do Oi Futuro, Alberto Saraiva.
A mostra cobre mais de 50 anos de história da arte no Brasil. Com mais de 500 fotos, entre ampliadas e projetadas, “Notas em Observatório” dará um panorama da produção dos artistas brasileiros contemporâneos, com ênfase em performances e no tridimensional.
Arte em fotografia
O trabalho de Wilton Montenegro já havia rendido uma exposição, homônima, no Oi Futuro no Flamengo, no Rio de Janeiro, quando ainda se chamava Centro Cultural Telemar, em 2006. Na época, Montenegro declarou que a exposição era “uma maneira de devolver à arte contemporânea tudo aquilo que ela me propiciou, toda a poesia que pude acompanhar”. A exposição foi a primeira a ocupar todo o prédio com um único artista. “Notas do Observatório” ainda foi documentada em um livro da Coleção Arte & Tecnologia, pertencente ao Oi Futuro, organizado pela professora Glória Ferreira‚ crítica de arte e curadora independente‚ e publicado pela editora Arco e distribuído pela Mauad.
Das capas de disco às performances e instalações
Natural de Manaus (AM)‚ hoje com 67 anos de idade‚ Wilton Montenegro reside no Rio de Janeiro desde 1960. Atuando, desde cedo, em diversas áreas da criação, fez suas primeiras fotografias em 1966. Com uma trajetória relacionada à música popular brasileira das mais respeitadas, é autor de algumas capas de disco marcantes, como a de Bezerra da Silva crucificado, as do carioca Gonzaguinha e da mineira Clara Nunes – com seu cabelo de flores ou com seu cocar de conchas – e mais de uma centena de artistas da MPB.
Começou a registrar a arte contemporânea brasileira no início em 1983, depois de ser apresentado a Raimundo Colares, que o apresentou a Antonio Manoel e Cildo Meireles. Um cartaz para uma festa do disco promoveu o encontro de Montenegro com Waltércio Caldas. Desde então, fotografou quase que a totalidade dos trabalhos de arte destes nomes, que hoje, são internacionalmente reconhecidos entre os mais importantes artistas plásticos brasileiros contemporâneos.
A transposição de performances e objetos tridimensionais, como esculturas e instalações, para a linguagem bidimensional da fotografia, provocou uma busca de adequação similar às traduções de poesia: em alguns casos, transcrição, em outros, para usar um termo cunhado por Haroldo de Campos, “transcriação”. Tal processo só foi possível por meio de uma cumplicidade com os artistas, devido à necessidade de perpetuar o efêmero de algumas obras e a sua inscrição em lugares específicos.
Uma das formas de manifestação desse processo (ainda) hoje é através da utilização da fotografia como suporte para criação e permanência de obras que não poderiam existir de outro modo, como as performances. Há inúmeras, que só foram vistas pelo público através da fotografia de Wilton Montenegro. Algumas delas foram fechadas – só com artista, fotógrafo e performer(s) – ou duraram só o tempo do evento de modo que, do trabalho, só pudesse existir a fotografia, como é o caso de performances de Márcia X, reproduzidas no recém-lançado livro “Arquivo X”.
No âmbito do registro, destacam-se as fotografias dos ateliês dos escultores Franz Weissmann e Sérgio Camargo, realizadas logo após suas mortes. No caso de Camargo, por iniciativa de Waltércio Caldas, grande amigo do escultor, Wilton Montenegro fotografou o atelier para “congelar o instante”, como brinca o próprio fotógrafo, sobre a tentativa de um registro sobre como o artista compunha seu espaço – antes que alguém o modificasse.
Além do acompanhamento fotográfico do desenvolvimento do trabalho desses artistas durante mais de duas décadas, Wilton Montenegro tornou-se conhecido no meio de arte e seu trabalho bastante solicitado por artistas desde Weissmann, passando por Sued, Antonio Manuel, Vergara, Cildo, Ascânio, até Basbaum, Damasceno, Cabelo, Ronald Duarte, Simone Michelin, Iole de Freitas e Fernanda Gomes, chegando até artistas mais jovens, como Daniel Toledo, Romano e Celina Portela, e propiciando uma visão interna do processo de transformação pelo qual vem passando a arte contemporânea brasileira.
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