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A máquina de fazer espanhóis – Espetáculo de formação do Curso Profissionalizante de Teatro do Cefart

av. Afonso Pena, 1537 – Centro

Teatro João Ceschiatti - Palácio das Artes

Informações: (31) 3236-7400

Gratuito

quinta a sábado às 20h; domingo às 19h. Sessão extra aos sábados, às 16:30h


 

Com direção do ator e membro fundador da Cia Luna Lunera, Cláudio Dias, os 11 alunos formandos do curso profissionalizante de Teatro do Cefart, nova designação do Centro de Formação Artística, que ganhou a palavra Tecnológica, da Fundação Clóvis Salgado –, encenam a máquina de fazer espanhóis. A montagem é uma livre adaptação do livro homônimo do escritor angolano Valter Hugo Mãe que vive em Portugal desde sua infância. O espetáculo narra a história de António Jorge da Silva, um barbeiro de 84 anos que, após perder a esposa, passa a viver em um asilo e compartilhar com seus novos companheiros suas memórias e reflexões sobre a vida.

 

Ambientada em Portugal dos dias atuais, a trama se desenvolve na casa de repouso Feliz Idade. O enredo apresenta personagens que têm de lidar com o afastamento de seus entes amados, com as recordações do passado, a eminência da morte e com os reflexos econômicos e culturais da integração do país à União Europeia. Neste cenário, os moradores do asilo nutrem o profundo desejo por outra nacionalidade: a espanhola, já que consideram a nação vizinha mais alegre, mais viva e com melhores salários. Por esse motivo, Portugal é uma “máquina” de fazer espanhóis.

 

Nesse clima melancólico e saudosista, o resgate da memória das personagens é um conflito constante entre a difícil tarefa de se manter ativo e bem, mesmo aguardando a inevitável visita da morte. As lembranças que moldaram cada um dos residentes afloram neste espaço. Entre amores que partiram e chances perdidas, o peso dos 50 anos da ditadura de António de Oliveira Salazar recai sobre os ombros do protagonista da peça, que aceitou, de maneira passiva, aquele período conturbado na história do país.

 

Experimentações artísticas – O contato da turma com Cláudio Dias começou no segundo semestre de 2014, quando o ator ministrou a disciplina de Interpretação. A proposta das aulas era trabalhar, de forma mais intensa, diferentes atividades de improvisação, tanto para a preparação do ator quanto para a criação de personagens e cenas. “Após essas atividades, surgiu o interesse da turma em dar continuidade à pesquisa, me convidando para dirigir o espetáculo de conclusão do primeiro semestre”, conta Cláudio.

 

Um dos pilares do curso profissionalizante em teatro é a construção coletiva das montagens. Durante esse período, os alunos são estimulados a participar de todas as etapas do processo de criação dos espetáculos. Para o diretor de Ensino e Extensão do Cefart, Roger Vieira, promover a autonomia do estudante e instigar a capacidade criativa dos alunos permite que as turmas discutam, ao lado de seus professores, os mais diversos conteúdos artísticos. “Esse diálogo mais horizontal, com o corpo docente, artistas e outros estudantes do Cefart, permite uma troca muito mais efetiva para a formação dos alunos”, ressalta.

 

A escolha do texto de Valter Hugo Mãe surgiu durante a atividade “ensaios afetivos”, uma forma de encarar as narrativas a partir de um olhar mais voltado para o afeto. A turma foi, então, convidada a responder o que desejava para a montagem. “Chegamos, assim, ao livro a máquina de fazer espanhóis, encontrando ali um texto tão bonito e forte, consonante com o que queríamos falar. Partimos então para a criação das personagens, que, na maioria, estão na terceira idade”, aponta Cláudio.

 

Foto: Divulgação 


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