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Not�cias
05/02/2012 - Esculturas prontas para serem apreciadas em Coronel Xavier Chaves
Artistas europeus saem do Brasil, mas deixam sua marca na pequena cidade da cantaria e esculturas, na região do Campo das Vertentes

Após quase um mês de trabalho árduo, as pedras usadas por escultores estrangeiros e por artesãos em Minas Gerais se transformaram em obras de arte. O II Festival Internacional de Esculturas em Pedra, realizado em Coronel Xavier Chaves, na região do Campo das Vertentes, terminou no último domingo, 29, deixando um legado especial para a pequena cidade.

As peças produzidas pelos protagonistas do festival chamaram a atenção das dezenas de turistas e deixaram os moradores orgulhosos, já que as obras ficarão permanentemente expostas na cidade. Os escultores iniciaram o trabalho no dia cinco de janeiro, em ateliês abertos, montados em praça pública.



Mariléia Assunção, 45, trabalha na Associação Oficina do Artesão, conhecida como Casa de Cultura, localizada na praça principal de Coronel Xavier Chaves, onde os artistas produziram lado a lado as esculturas. A artesã conta que é a primeira vez que acompanha o processo de criação de obras de arte, apesar de ter nascido na cidade da cantaria e escultura. “Estamos felizes com a iniciativa do festival. Desde a primeira edição, a cidade está ganhando com a valorização do patrimônio”, declara Mariléia.

Obras para encher os olhos

Angel, Dance e Family são os projetos concretizados dos artistas do Leste Europeu, Petro Matl (Ucrânia), Agnessa Ivanova Petrova e Liliya Pobornikova (Bulgária), respectivamente, selecionados entre os 150 projetos enviados à Comissão Julgadora do II Festival.

Entre dezenas de escultores do município que se dedicam à arte do entalhe em granito, pedra gnaisse e pedra-sabão, a seletiva local escolheu o artesão Francisco Sales Neto, 46. O artesão esculpiu a obra São Francisco Xavier e São Francisco de Assis, em homenagem à cidade e ao próprio nome. Francisco se dedica à arte da cantaria há 23 anos: “Cantaria é minha sobrevivência, minha vida. As pessoas vão e as pedras ficam”.

Além dos quatros escultores selecionados, dois artistas foram convidados a participar do Festival. O português Vitor Reis, de Caldas da Rainha, criou Ligação, trabalho que representa os laços de amizade entre as duas cidades. “Por acaso a recepção foi bastante positiva. Muita gente veio me falar que gostou da peça. Foi um bom resultado usar alguma figuração realista, que as pessoas pudessem reconhecer como parte da cultura daqui”, comentou o escultor, que veio ao Brasil pela primeira vez.

Já a espanhola Maribel Sanches, das Ilhas Canárias, produziu Ipê. A simpática senhora gravou na pedra características marcantes que pôde perceber da cultura brasileira.

Inspiração em Caldas da Rainha

O festival de Coronel Xavier Chaves é espelhado no tradicional Simpósio Internacional de Escultura em Pedra, o Simppetra, que ocorre a cada dois anos na cidade de Caldas da Rainha, em Portugal.

A intenção é fazer um intercâmbio permanente com a cidade portuguesa, realizando o festival mineiro nos anos ímpares a partir da próxima edição – já que o Simppetra é realizado nos anos pares.

O prefeito do município, Helder Sávios, esteve em Portugal em abril do ano passado para conferir a 13ª edição do festival e garantir uma boa organização do evento em Coronel Xavier Chaves. Na ocasião, Sávios aproveitou para convidar o escultor português Victor Reis para participar do festival em Minas Gerais.

Para 2013, a organização do evento, realizado pela Associação dos Amigos do Acervo Cultural Geraldo Magela Rodrigues, com apoio da Prefeitura local e empresas, via Lei Federal de Incentivo à Cultura, prevê uma movimentação ainda maior no município. O local está se tornando conhecido por meio do Festival, que valoriza a tradição da cantaria no município, dando vida e circulação às obras dos escultores.

Ofício também para a nova geração

A oficina de escultura em Coronel Xavier Chaves (9km de Tiradentes) teve início no último sábado, dia 28. O projeto é pioneiro no município: durante três meses, 30 jovens carentes - maioria afrodescendente - da cidade, incluindo a área rural, entre 14 e 18 anos, aprenderão as principais técnicas para extrair, das pedras, figuras e objetos diversos. A iniciativa tem o apoio do Poder Público, via Lei de Incentivo à Cultura.

O professor da oficina, Luciano Lara, conta que a maioria dos escultores atuais da cidade iniciou o ofício há mais de 20 anos, sob a orientação de David Eduardo Fuzatto, artesão de mão cheia, referência em Coronel Xavier Chaves na arte de esculpir. Agora, Luciano espera contribuir inspirando a nova geração para o ofício que há décadas constrói a identidade do lugar: “No futuro, esses meninos irão representar a cidade e todos os escultores que aqui viveram”.


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