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04/02/2010 - Iced Earth faz apresentação histórica na cidade
A noite belorizontina da última quinta-feira, 4, teve ares pesados e congelados, vindos lá de cima do continente. Direto dos Estados Unidos, a banda Iced Earth visitou a capital mineira, na turnê que traz para a América do Sul clássicos de um esquadrão que possui mais de 20 anos de estrada no Heavy Metal. A apresentação aconteceu no polivalente Lapa Multshow.
Logo na entrada, era possível perceber a euforia dos fãs. Por volta das 20 horas, uma enorme fila saía da portaria da casa, na rua Álvares Maciel, indo até o final da rua transversal. Para uma véspera da véspera do fim de semana, os bangers não decepcionaram. Bradando o nome da banda, conversando animadamente (sobre música) com os amigos, tomando aquela cerveja gelada (ops), até que passou despercebida a demora para entrar. E não foi culpa dos organizadores. Segundo membros da produção, o vôo trazia os gringos chegou atrasado em 2 horas ao aeroporto de Confins. Assim que eles desceram da Van, entraram e foram direto para os camarins. Com feições bastante concentradas, nem perceberam a euforia ao redor, somente pelo fato de terem chegado. Sem muitas firulas com o som – sim, ele já havia sido passado por animados roadies – um a um ganha o palco. Após a introdução, In Sacred Flames dá o tiro inicial. Dali para a frente, uma aula de Heavy Tradicional, carregado de feeling, profissionalismo e técnica. Matt Barlow (vocais), Jon Schaffer (guitarra/vocais), Troy Seele (guitarra), Freddie Vidales (baixo) e Brent Smedley (bateria), vieram derreter o Lapa, aproveitando o trocadilho paradoxal. Behold the Wicked Child e Burning Times servem para músicos, equipe e fãs, se ajustarem. Até aí, via-se um Matt Barlow meio tímido, fãs ainda extasiados com a adrenalina inicial, típica de um grande show, e operadores de som trabalhando intensamente. Após a terceira música, a voz de Matt estava mais audível, comprovando seu incrível talento – falaremos deste assunto mais adiante. Coming Course definitivamente sintoniza tudo que faltava para termos mais uma apresentação de gala na cidade. Uma banda que já lançou mais de 20 trabalhos, dentre discos, EP´s etc, merece total respeito. E que exibição portentosa! Os caras provaram que sabem executar suas canções ao vivo com total similaridade às versões de estúdio, acrescentado àquele detalhe indispensável aos shows: atitude, pegada e disposição. Durante Declaration Day, Matt tira sua jaqueta de couro personalizada, mostrando estar todo marombado, bem no estilo Eric Adams e Ralf Sheepers. A música faz parte do último trabalho dos caras, The Crucible of Man, marcando o retorno do vocalista, que deixou a Terra Gelada em 2003. No final, uma referência já bem conhecida de Shaffer e Cia. Eles executam trecho de The Trooper, uma das Magnus Opus dos semi-deuses Iron Maiden. A cada passagem, riff ou solo, de cada música, fica clara a influência dos britânicos no som. Tanto que o fundador-cacique-todo-poderoso, Jon Shaffer, diz abertamente que a Donzela é a melhor banda de todos os tempos. E não é só ele quem acredita nisso... Devaneios à parte, Violate provou que daria para bater cabeça à vontade naquela noite. Com significantes inferências Thrash, a música até que proporcionou alguns pogos na multidão. Pure Evil mantém o clima de açoite, com sua pegada forte e direta. A atual line up está bem afiada. Vidales debulha as cinco cordas de seu baixo, agitando e cantando efusivamente. Brent segura bem a onda nas baquetas e Troy é um excelente guitarrista, que executa com maestria os solos, pena que o volume de seu instrumento teimou em não ficar tão alto como os outros. Fica agora a expectativa de que todos permaneçam por um bom tempo no grupo. Mesmo com tamanha longevidade na cena, é impressionante a quantidade de músicos que já passaram por lá: 23, até agora. Isto se deve ao fato de Schaffer comandar com rigor todos os direcionamentos que por ventura venham a seguir. Tudo bem, o resultado final é muito positivo. A longa e excelente Dracula, cheia de passagens, e um solo fenomenal, leva o público ao pleno êxtase. Do disco Horror Show, a canção serve como exemplo da vontade de Shaffer em aprofundar sobre assuntos que o interessam – neste caso, histórias de terror. Outros temas conceituais, como guerras civis e membros de HQ´s, já foram abordados. Na seqüência, a bela Melancholy naturalmente conclama os fãs a cantarem juntos, fato mais que obedecido. Ten Thousand Strong surge para provar uma coisa: o vocalista do Iced Earth se chama Matt Barlow. Apesar de outros três cantores já terem passado pela banda, um deles o fantástico Tim “Ripper” Owens, o posto é do ruivo. Muitos fãs ficaram tristes quando foi anunciada sua saída, em 2003. O motivo, segundo ele, era o cansaço de trabalhar com mitos e temas surreais. Após os ataques às Torres Gêmeas, em setembro de 2001, Matt chegou à conclusão de que deveria fazer algo mais consistente pela humanidade. O maluco largou a música, terminou o curso de Direito e entrou para a polícia de George Town, nos EUA. Além das tarefas diárias de um membro da segurança pública, o cantor participava de uma banda oficial, que abordava temas como “Fique Longe das Drogas”, “Respeite Seus Pais” e outras coisas do estilo politicamente correto. Mas o cara desistiu da ideia, e voltou aonde nunca deveria ter saído. O Metal agradece. Shaffer exalta a presença dos fãs, lamenta a demora de 20 anos para chegar à BH e anuncia Stormrider. Ele mesmo canta a porrada, do disco Night of the Stormrider, de 1992. Indubitavelmente, um dos mais pesados da trajetória Gelada. Brent brinca com o chimbau em The Hunter, demonstrando mais do que competência. Na seqüência, a trinca, que é executada desde o disco Something Wicked This Way Comes: Prophecy, Birth of The Wicked e The Coming Curse fazem o público berrar. Prova do poderio dos caras, boa parte da audiência sabia cantar praticamente todas as letras. Depois da pausa para um breve descanso, era a hora do encore. Dark Saga, música do disco homônimo que aborda o personagem dos quadrinhos, Spawn, estimula os fãs a levantarem os chifres. A grata surpresa viria a seguir. Muito se falava da potência que a banda tinha, durante seus shows. Em A Question for Heaven, tal mito foi comprovado. Ora, 15 músicas já haviam sido tocadas. Mas parecia a primeira! Matt simplesmente mostrou que seu nome deve figurar na lista dos maiores cantores da história metálica, ao lado de Halford, Dickinson, Dio dentre outros. Seus agudos estavam tão afiados, parecia mesmo que o show começara há minutos. Não somente ele. Question é uma canção meio balada, com muito peso e intervenções. Não parece ser fácil de tocar e tudo correu bem. Ponto máximo da noite. My Own Savior e Iced Earth encerram uma apresentação que deixou marcas bastante positivas no coração de muitos fãs, sejam de longa data ou não. Com seu estilo cheio de cavalgadas, melodias e peso, os norte-americanos são uma constatação de que não é necessário estar no auge para fazer um show excepcional. Basta manter um ritmo, nivelado por cima. Após o concerto, todos saíram rapidinho, indo direto para a Van, na porta do Lapa. Lá fora, um séqüito de fãs acompanhava o veículo, batendo palmas e gritando o nome da banda, agradecendo o momento proporcionado. Cena memorável. E este é apenas o início da temporada 2010 de shows na cidade. Em homenagem aos 30 anos da maior incentivadora da cena Metal no Brasil, a gravadora Cogumelo, e 10 de outro grande estandarte no meio, a Annihilation Produções, muita coisa boa vem por aí. As próximas atrações, já confirmadas, serão os europeus Benediction e Marduk. Hora do público agradecer o apoio das supracitadas representações na indústria musical nacional, lotando as casas e comprovando a pujança dos bangers mineiros. Set List In Sacred Flames Behold The Wicked Child Burning Times Declaration Day Violate Pure Evil Dracula Melancholy Ten Thousand Strong Stormrider The Hunter Prophecy Birth Of The Wicked The Coming Curse ENCORE: Dark Saga A Question Of Heaven My Own Saviour Iced Earth www.icedearth.com www.myspace.com/icedearth Por: Oswaldo Diniz Local: Lapa Multshow |









