Coberturas

Projeto “Doçaria Mineira” retoma a luta com o lançamento do Ano da Mineiridade

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Grande Teatro Palácio das Artes, 23/03/2022
Por Lizandra Andrade

“A primeira coisa que vem à cabeça sobre um povo, é a sua culinária, pois ela é a expressão mais intrínseca que um povo pode ter”, assim disse o produtor de doces Gláucio Peron, da Doces da Roça de Poços de Caldas, quando perguntado sobre qual é a principal característica cultural de Minas Gerais. “Podemos analisar, a arte é aristocrática, mas a comida é do povo e revela muito sobre as raízes de cada pessoa, cada modo de fazer, como fazer, os utensílios tradicionais para a preparação e prática passada de geração em geração”, completa.

Nosso querido Estado tem uma vasta e rica culinária - não é atoa que Belo Horizonte ganhou o título de Cidade Criativa da Gastronomia pela Unesco, no ano de 2019 - temos os tradicionais queijos, feijão tropeiro, café, cachaça e o delicioso doce de leite. Pensando em valorizar a nossa gastronomia, na última semana, aconteceu a solenidade de lançamento do projeto “Ano da Mineiridade” - evento que ocorreu no Palácio das Artes, contou com a participação do governador Romeu Zema e de várias outras autoridades representantes do setor de turístico, cultural, gastronômico e acadêmico.

Prevista para o segundo semestre, a iniciativa tem como objetivo destacar Minas Gerais e também abrange a área cultural e o turismo. Como uma maneira de homenagear e continuar incentivando empreendedores que contribuem na preservação das nossas raízes, foi destinado, por meio de um edital, cerca de R$10 milhões a projetos que visam fortalecer nossas tradições - o edital de Cultura Cemig 70 Anos está disponível para leitura aqui.

Doçaria Mineira

Aproveitando o lançamento da ação, o projeto Doçaria Mineira retoma o objetivo de assegurar as tradições no modo de fazer doces, preservando e assegurando o uso de utensílios culinários que haviam sido proibidos pela vigilância sanitária.

Preparar doces em tachos de cobre é uma tradição em Minas e ainda existem pequenos produtores que fabricam doces de frutas artesanalmente, seguindo as tradições de seus familiares. No entanto, desde o ano de 2007, a vigilância sanitária proíbe o uso de materiais de cobre na produção alimentícia. A medida é baseada na resolução RDC 20 (22 de março de 2007), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que diz: “a absorção excessiva do metal provoca desordens neurológicas e psiquiátricas, danos no fígado, nos rins, sistema nervoso e ossos, além de perda de glóbulos vermelhos”.

Sobre essa medida, Gláucio desabafa: “Eu acredito que um povo é regido pelas suas tradições, sua cultura, sua gastronomia, seu modo de ser e de agir. Infelizmente, o Brasil adotou uma política de segurança alimentar norte-americana, em detrimento da europeia, então pasteuriza-se tudo, matando o que é natural e deixando tudo homogeneizado. A nossa associação de produtores de doces tem como principal campanha preservar a herança gastronômica, por meio do reconhecimento e valorização dos modos de fazer os nossos produtos e da perpetuidade da doçaria mineira do jeito que ela sempre foi”, conta.

O produtor Gláucio, ainda, acrescenta que o projeto do segundo semestre pode ser uma porta para mudanças na legislação. “O Ano da Mineiridade é uma grande alegria, mas traz para nós, da Doçaria Mineira, uma certa angústia, porque a gente quer manter a nossa tradição de fazer os doces tipicamente mineiros, mas a cada dia a legislação nos restringe, deixando difícil. O que é interessante nesse ano é que o poder público, através do governo do Estado, está nos valorizando isso e é a nossa hora de falar que queremos manter a tradição de se fazer doces da mesma maneira que nossos ancestrais faziam. Temos uma memória afetiva com isso”.

O projeto da Doçaria Mineira, como conta Rosilene Campolina, Mestre em Educação e Sustentabilidade Gastronômica, foi idealizado pela saudosa cozinheira e doceira Dona Dona Lucinha, proprietária do restaurante homônimo de comida mineira. "Esse movimento começou há décadas com ela, Dona Maria Stella Libanio Christo e Dona Nelsa Trombino, mas agora emergiu neste momento de ascensão da nossa nova cozinha mineira. Então, estamos juntando todas as forças para valorizar nossa tradição na doçaria, pois, além de tudo, o uso de certos utensílios faz parte da nossa cultura alimentar", finaliza.

Fotos: Ton Nettos e Rosilene Campolina
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