Coberturas
Nightwish causa euforia e frustração em BH
Chevrolet Hall, 09/11/2008
Por Oswaldo Diniz
O que era para ser mais um excelente show de Metal na cidade, acabou decepcionando o público presente. A banda finlandesa Nightwish se apresentou no Chevrolet Hall na noite da última segunda-feira, 10. O show faz parte da Dark Passion Tour, trabalho de divulgação do último disco, Dark Passion Play, e o primeiro com a nova vocalista, Anette Olzon, que tem a difícil tarefa de substituir a semideusa Tarja Turunen. Levando em consideração o ocorrido na noite do show, pode-se dizer que as coisas complicaram um pouco mais para a neófita cantora.
Mas o que aconteceu? Calma, nem tudo foi ruim naquela noite. A banda Pleiades, mais uma vez, teve a responsabilidade de inaugurar os ouvidos do público presente com altos decibéis. Por uma questão logística, de trânsito e conciliação com duas atividades profissionais, esse repórter que vos escreve chegou atrasado ao Chevrolet Hall, fato que impossibilitou assistir na íntegra ao show. Independentemente da quantidade, a qualidade pôde ser analisada. Cynthia Mara (voz), André Mendonça (guitarra), André Bastos (bateria) e Caio Porto (baixo) estão cada vez mais afinados. Cynthia e André Bastos destacam, em função da atitude da cantora, sempre gesticulando, fazendo caras e poses, e pela pegada precisa do baterista. A molecada toda está no caminho.
Antes dos finlandeses, é bom ressaltar o público. Infelizmente, o Chevrolet Hall não estava cheio, talvez em função da apresentação ter sido no pior dia da semana (para muitos), ou do tempo chuvoso. O que importa, então, é o carinho da platéia com a banda. Quando Tuomas Holopainen (teclados), Emppu Vuorinen (guitarra), Marco Hietala (baixo, vocais), Julius (bateria) e Anette Olzon (vocal) sobem ao palco, o público grita incansavelmente. A abertura fica por conta de Bye, Bye, Beautiful, precedida de uma introdução que causou apreensão em todos. Na sequência, Whoever Brings the Night, na qual Tuomas demonstra gostar do que faz, cantando e girando a cabeça constantemente. Ao final, Anette saúda a platéia e rapidinho anuncia a próxima música. O chão de madeira do Chevrolet tremeu com The Siren. Alguns podem considerar o atual som do Nightwish mais comercial do que outrora, mas os caras ainda têm peso em sua música – isto é indubitável.
Pela primeira vez na noite, e não a última, Marco brinca com o público. Logo depois anuncia um clássico mais remoto: Dead to the World fez todos pularem freneticamente. Todos cantavam palavra por palavra, banda e público. Julius é um baterista interessante. Apesar da estatura acima da média, ele toca meio encolhido, como se procurasse alguém no meio da multidão. Depois, “quando acha”, fica apontando para frente com a mão semi-aberta, cantando como se fosse um fã mesmo, revezando as batidas com giros da baqueta em seus dedos. Ao executarem Amaranth, parecia que os teclados de Tuomas estavam em baixo volume, não dava para escutar muito bem.
Não é possível comparar a atual vocalista com sua antecessora. O timbre das duas é muito diferente, Tarja vem de uma escola lírica e colocou isso em seus trabalhos. Anette é uma voz mais voltada para o contexto do estilo musical praticado pelos finlandeses. Mas o que mais incomodava era a sensação de que Anette não estava tão à vontade como o restante da banda. Marco conversava mais com o público do que ela, até aí tudo bem, levando em consideração que, atualmente, o baixista ocupa o posto de mais carismático da banda. Mas algo não estava bem com a cantora...
Uma curta pausa para todos refrescarem. No retorno, Emppu e Marco nos violões, acompanhados de Tuomas, tocam a balada The Islander, inicialmente cantada pelo baixista, e depois completada por Anette. Marco termina agradecendo aos fãs e enaltecendo o fato de todos saberem cantar a canção. A próxima música tinha tudo para ser a melhor da noite. The Poet and the Pendulum. Contando com aproximadamente 13 minutos de duração e várias passagens, a música encantou todos os fãs. De refrão poderoso, solos e interlúdios, esta pode ser considerada uma das melhores canções do último álbum.
Mas algo aconteceu com Anette. Faltando alguns minutos para a música acabar, a vocalista saiu visivelmente chorando do palco. O restante continuou tocando, e Marco fez as vozes para preencher a lacuna. Quando a música acabou, ninguém sabia o que estava acontecendo – nem banda, muito menos público. Alguém da produção chega para Tuomas e Marco e passa alguma informação. Imediatamente, o baixista toma a frente do palco para executar While Your Lips Are Still Red, não obstante a excelente técnica vocal de Marco, o público já começou a ficar com a pulga atrás da orelha.
Uma breve pausa, burburinho na platéia, corre-corre no palco, Marco continua à frente e ele mesmo dá a informação que ninguém gostaria de ouvir: Anette estava passando por problemas sérios e estava incapacitada de retornar ao show. Ele diz ser uma pena, pede desculpas e anuncia o cover de Symphony of Destruction, do Megadeth. Mais uma vez, o público não sabia se agitava ou digeria a informação. Afinal o show foi encurtado em, pelo menos, seis músicas, tendo como base o set list de um dos shows de São Paulo, realizado dias antes.
Depois do último acorde, a banda se despede bem rápido, sem Anette. Daí pra frente, o que era admiração virou indignação. Todos no Chevrolet gritam: “we want more! we want more!”, exigindo mais músicas –pedido muito pertinente, por sinal. Alguns mais revoltados gritavam o nome da antiga vocalista. Mas de nada adiantou. O único alento foi o discurso de um dos técnicos, criando a versão oficial do incidente. Segundo ele, Anette teria passado mal com a fumaça do show, e não teve condições físicas de retornar, fato que resultou em choro copioso da vocalista no backstage. Depois de pedir desculpas, ele também desaparece.
Independentemente do motivo, alguns fatos merecem observação. Apesar do infortúnio, é importante isentar de culpa a produção do evento, que não teve nada com o fato ocorrido, pelo contrário, eles estão de parabéns pela iniciativa de trazer uma grande banda à cidade. Culpados não existem, qualquer um pode passar mal a qualquer hora. O fato que indignou muitos dos presentes foi a despedida rápida da banda, sem saber o que fazer sem sua vocalista. Talvez um solo de bateria, de guitarra, teclados, jam sessions, enfim. Algo que comprovasse a vontade deles de estarem ali, junto à platéia.
Nesta terceira passagem do Nightwish pela cidade, o show não foi ruim, apenas ficou maculado com um fato inusitado, que a banda não soube suplantar. Na verdade, os finlandeses perderam uma grande oportunidade de provarem que estão muito bem sem a companhia da antiga vocalista. Agora é esperar a repercussão com os fãs...
Set List – Nightwish
Intro/Bye Bye Beautiful
Whoever Brings the Night
The Siren
Dead to the World
Amaranth
The Islander
The Poet and the Pendulum
While Your Lips Are Still Red
Symphony of Destruction
Fotos: Oswaldo Diniz
Selecionamos os melhores fornecedores de BH e região metropolitana para você realizar o seu evento.
